sábado, 16 de junho de 2012

Cuidados com fogos de artifício dobram no São João


Soltar fogos inadequadamente resulta em queimaduras, danos na visão e mutilação de dedos. Confira as precauções adequadas

Soltar fogos não é brincadeira, por isso exige muitas precauções
O fogo é sinônimo de louvor, de celebração e de luz. Foi com uma fogueira que Isabel, mãe de São João, avisou a prima Maria do nascimento de seu filho. A tradição foi ganhando novas formas, assim surgindo as espadas, buscapés e demais fogos de artifício, símbolos do período junino, mas que exigem bastante cuidado no manuseio.

Durante a celebração mais popular do Nordeste, o atendimento na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) aumenta em 200%. Em junho de 2009 cerca de 300 pacientes com queimaduras deram entrada no maior hospital do estado. Para não entrar nesta estatística e aproveitar bem as festas, preste atenção nas recomendações do Corpo de Bombeiros.
Na hora da compra
Bombeiro fiscaliza barraca de fogos em Aracaju
Antes de tudo é importante saber que, no Brasil, a venda de fogos de artifício a menores de idade desacompanhados de seus responsáveis é proibida por Lei. Antes de levar algum produto do gênero para seu arraiá, preste atenção na embalagem: o fabricante é obrigado a informar o material utilizado na fabricação e orientações de segurança.

O transporte dos fogos de artifício também requer tratamento especial. Nunca os carregue junto ao corpo, nem mesmo as bombinhas mais inofensivas. Procure acender o material em locais abertos, longe de prédios e multidões, principalmente quando há bebida alcoólica circulando. Para evitar uma ida à UTQ do Huse, utilize bases e prolongamentos na hora de explodir os fogos.
Caso queira guardar o artefato em casa, mantenha-o longe das crianças, em local seco e longe de fogões, isqueiros e pessoas fumantes. Não tente reaproveitar os fogos que não estourarem. Caso isto ocorra, molhe o pavio para evitar acidentes e procure o comerciante que te vendeu o produto para exigir a troca. Esta é mais uma vantagem de não comprar fogos clandestinos.
Médico Bruno Cintra (Foto: Marco Vieira)
O que fazer em caso de queimadura?

Caso algumas das recomendações citadas nesta reportagem não sejam seguidas e alguém venha a se queimar, o ideal é lavar a área do corpo afetada com água corrente e enrolar com uma toalha limpa. Logo em seguida, procure ajuda médica. Se a queimadura for muito extensa, deve-se pedir socorro ao 192 (telefone do Samu) imediatamente.
Nenhuma pomada ou qualquer medicamento deve ser aplicado no ferimento sem prescrição médica, segundo o cirurgião-plástico Bruno Cintra. “O mesmo vale para creme dental, gelo, café, e outros produtos que não passam de lendas quando o assunto é tratamento de queimaduras”, garante o profissional que faz parte da equipe da UTQ do Huse.
Muito além das queimaduras
Criança vítima de queimaduras por fogos de artifício recebe atendimento médico (Foto: Wellington Barreto)
Mas os fogos de artifício não representam apenas risco de queimar a pele. Quem solta fogos sem tomar as devidas precauções está sujeito à laceração e mutilação de dedos, mãos e rosto, além dos danos que podem provocar aos olhos.

Os casos de comprometimento da visão aumentam bastante durante o período junino, como aponta um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Um dos maiores causadores disso são os fragmentos provenientes da queima de fogos e fogueiras, que entram em contato com os olhos.
Quem utiliza lente de contato deve retirá-las imediatamente ao perceber vermelhidão e sensação de areia no campo da visão. Se a explosão for muito próxima aos olhos, o ideal a fazer é ocluir o olho com gaze e procurar um serviço de urgência oftalmológica o quanto antes. 


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