A implantação de uma estação de tratamento de esgotos (ETE) na área da Estação Experimental da Emepa em Alagoinha – EEA (89 km de João Pessoa) traria vários impactos negativos para a pesquisa desenvolvida no local. A conclusão é da comissão que analisou a viabilidade técnica do projeto da Prefeitura Municipal de Alagoinha, orçado em R$ 6 milhões e já aprovado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Criada em 1933, a EEA passou para o comando da Embrapa na década de 70 e em 1981
começou a ser gerenciada pela Emepa. De seus 575 hectares, 262 compõem reserva legal (RL) e área de preservação permanente (APP) e outros 105 são destinados ao atendimento da
demanda por alimentação do rebanho de 428 bovinos das raças Sindi e Guzerá, por meio dos
quais são desenvolvidas pesquisas de melhoramento genético. De acordo com o parecer técnico,
essa área de pastagem já é insuficiente para o rebanho, cuja alimentação é suplementada
com ração. A proporção ideal é de um hectare de pasto por animal.
Embora a área solicitada pela prefeitura seja de 10 hectares, os técnicos avaliam
que a instalação da ETE reduziria ainda mais a área de pastagens, já que comprometeria também a área em seu entorno. A qualidade da água dos lençóis freáticos pela concentração de
substâncias químicas também foi apontada como outro fator de risco ambiental, além da alteração
da qualidade do ar devido à liberação de gases originados no tratamento do esgoto. A obra
também comprometeria a qualidade da água do Riacho Belém, cujo curso segue para a zona urbana.
A EEA abriga laboratórios, baias, currais, bretes, salas de ordenha e carpintaria
casas de colonos, instalações de manejo animal, usina de beneficiamento de sementes e 46 trabalhadores (cinco pesquisadores nas áreas de produção animal, produção
vegetal e sementes, agricultura tropical e sementes e manejo e conservação do solo, 18 auxiliares de operações, dois assistentes de operações e um técnico de nível superior).
Boanerges Josinery, presidente da Seção Sindical Emepa, afirma que o SINPAF
não pode se omitir diante da situação. “É nosso papel proteger o patrimônio da
Emepa e garantir a continuidade e melhoria da pesquisa que desenvolvemos,
por isso não podemos silenciar diante
dessa ameaça”. Segundo ele, o parecer dos técnicos da empresa foi aprovado por
unanimidade na
última reunião dos acionistas da empresa – governo do Estado da Paraíba
(representado pela Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e da Pesca)
e governo federal
(representado pela Embrapa). “Nossa preocupação é que em ano de
campanha eleitoral os gestores públicos não considerem esse parecer”.
Boanerges ressalta a importância de uma estação de tratamento de esgotos em Alagoinha,
que tem cerca de 13 mil habitantes e um baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
“A prefeita alega que a área pleiteada é a única tecnicamente viável no entorno da cidade
para a construção da estação, mas acreditamos que haja, no município, outras áreas
disponíveis
para acolher este investimento e que não comprometam a subsistência de nossa estação experimental”.


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