sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Prefeitura de Alagoinha-PB quer instalar estação de tratamento de esgoto em área da Emepa








Parecer técnico elaborado por comissão destinada a avaliar os impactos da obra alerta para vários riscos à pesquisa de melhoramento genético de bovinos e ao meio ambiente. Trabalhadores manifestam preocupação com possibilidade do documento ser ignorado em ano eleitoral
A implantação de uma estação de tratamento de esgotos (ETE) na área da Estação Experimental da Emepa em Alagoinha – EEA (89 km de João Pessoa) traria vários impactos negativos para a pesquisa desenvolvida no local. A conclusão é da comissão que analisou a viabilidade técnica do projeto da Prefeitura Municipal de Alagoinha, orçado em R$ 6 milhões e já aprovado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Criada em 1933, a EEA passou para o comando da Embrapa na década de 70 e em 1981
começou a ser gerenciada pela Emepa. De seus 575 hectares, 262 compõem reserva legal (RL) e área de preservação permanente (APP) e outros 105 são destinados ao atendimento da
 demanda por alimentação do rebanho de 428 bovinos das raças Sindi e Guzerá, por meio dos
 quais são desenvolvidas pesquisas de melhoramento genético. De acordo com o parecer técnico, 
essa área de pastagem já é insuficiente para o rebanho, cuja alimentação é suplementada
com ração. A proporção ideal é de um hectare de pasto por animal.
Embora a área solicitada pela prefeitura seja de 10 hectares, os técnicos avaliam 
que a instalação da ETE reduziria ainda mais a área de pastagens, já que comprometeria também a área em seu entorno. A qualidade da água dos lençóis freáticos pela concentração de 
substâncias químicas também foi apontada como outro fator de risco ambiental, além da alteração 
da qualidade do ar devido à liberação de gases originados no tratamento do esgoto. A obra
também comprometeria a qualidade da água do Riacho Belém, cujo curso segue para a zona urbana.
A EEA abriga laboratórios, baias, currais, bretes, salas de ordenha e carpintaria
 casas de colonos, instalações de manejo animal, usina de beneficiamento de sementes e 46 trabalhadores (cinco pesquisadores nas áreas de produção animal, produção 
vegetal e sementes, agricultura tropical e sementes e manejo e conservação do solo, 18 auxiliares de operações, dois assistentes de operações e um técnico de nível superior).
Boanerges Josinery, presidente da Seção Sindical Emepa, afirma que o SINPAF 
não pode se omitir diante da situação. “É nosso papel proteger o patrimônio da 
Emepa e garantir a continuidade e melhoria da pesquisa que desenvolvemos,
por isso não podemos silenciar diante 
dessa ameaça”. Segundo ele, o parecer dos técnicos da empresa foi aprovado por 
unanimidade na
 última reunião dos acionistas da empresa – governo do Estado da Paraíba
 (representado pela Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e da Pesca)
 e governo federal 

(representado pela Embrapa). “Nossa preocupação é que em ano de 
campanha eleitoral os gestores públicos não considerem esse parecer”.

Boanerges ressalta a importância de uma estação de tratamento de esgotos em Alagoinha,

 que tem cerca de 13 mil habitantes e um baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). 

“A prefeita alega que a área pleiteada é a única tecnicamente viável no entorno da cidade 
para a construção da estação, mas acreditamos que haja, no município, outras áreas 
disponíveis 
para acolher este investimento e que não comprometam a subsistência de nossa estação experimental”.
Vista panorâmica da Estação Experimental de Alagoinha

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