Em
vez de ternos bem cortados ou camisa social, camiseta branca e calça
jeans. No lugar de uma mesa bem posta de café da manhã, apenas pão com
manteiga e café com leite. Essa é a realidade com a qual o ex-governador
do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) se deparou ao acordar, nesta
sexta-feira (18), no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, no
Rio. O peemedebista teve a cabeça raspada, prática adotada com os demais
presos da unidade, assim que chegou ao presídio, ainda ontem à noite.
Dono de imóveis luxuosos, Cabral passou a noite em uma cela de nove
metros quadrados.
O cardápio do almoço e do jantar em nada
lembra o oferecido em sua residência ou em restaurantes de luxo que
frequentava, no Brasil ou no exterior. O ex-governador deve almoçar
arroz ou macarrão, feijão, farinha, carne branca ou vermelha, legumes,
salada, sobremesa, além de um refresco. No lanche, serão servidos pão
com manteiga ou bolo e um guaraná. O político conhece bem a ala onde
está preso: foi ele, como governador, que inaugurou a unidade, em 2008.
Principal alvo da Operação Calicute,
derivada da Lava Jato, Cabral é acusado de liderar um esquema de
corrupção que desviou mais de R$ 220 milhões dos cofres públicos,
segundo estimativa da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
Outras nove pessoas ligadas a ele também foram presas por determinação
da Justiça do Rio e do Paraná.
Uma das acusações é de que o
ex-governador recebia mesada de até R$ 500 mil de empreiteiras, além de
joias e outros objetos de luxo dados por empreiteiras com contratos com o
governo estadual durante sua gestão, entre 2007 e 2014. Entre as obras
fraudadas citadas no pedido de prisão estão a reforma do Maracanã, o PAC
das Favelas, o Arco Metropolitano e o Complexo Petroquímico do Rio de
Janeiro (Comperj).
Além de Cabral, outro ex-governador
também está preso em Bangu. Anthony Garotinho (PR) foi transferido no
final da noite. Ele é acusado de coagir testemunhas e utilizar um
programa social da prefeitura de Campos (RJ), o Cheque Cidadão, para
comprar votos. O município é administrado por sua mulher, a
ex-governadora Rosinha Garotinho. Ele nega irregularidades e diz que sua
prisão é ilegal e arbitrária.
Congresso em Foco
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